domingo, 8 de abril de 2012

O que é que o Complexo não tem?

Tem sombrinhas de palha, tem; tem mesas de madeira, tem; tem bancos de alvenaria, tem e tem um quiosque também; tem um corrimão de cano de ferro, tem; tem uma cerca de madeira, tem. Tem salgados, refrigerante, água mineral, pavê, pudim, rocambole, musse, brigadeiro, bolo, misto, torrada, hambúrguer natural, cachorro-quente, pipocas, chicletes e sorvetes no Complexo Literário Benito Barros, também, de acordo com o "cardápio" do quiosque Parada de Lucas...

Situado nos fundos da Escola Ressurreição está o Complexo Literário Benito Maia Barros, doravante CLBMB. O CLBMB, projetado por não sei quem das quantas, é composto por quatro espécies de sombrinhas, com bancos de madeiras, um quiosque, e mais três bancos de alvenaria com umas esculturas, de alvenaria, que o homenageado ficaria se perguntando se eram lapisfálicos ou falicolápis...

Era 27 de janeiro do ano da graça, ou da desgraça, de 2012 quando foi estrondosamente inaugurado.

Setenta dias depois da inauguração, nova visita, para confirmar uma pergunta que me perseguia desde o dia da inauguração do CLBMB. Umas funcionárias do SESI/Macau atenderam-me solicitamente. Perguntei sobre o número de títulos. A mesma resposta do dia da inauguração: “Mil”. Mil títulos ou mil volumes? Ah, é que ainda vai chegar o restante, respondeu-me a moça num misto de empatia e constrangimento...

- E quantos livros de Benito Barros vocês tem aqui?
- Nenhum... Nenhum, né?, respondeu-me uma das funcionárias, enquanto pedia socorro às outras duas...
- Interessante, não acham? Um “complexo literário” que não tem um único volume do escritor que lhe dá o nome?

Mais que rapidamente, uma das funcionárias sacou uma desculpa, daquelas de ocasião, como se fosse possível esconder a lacuna:

- Mas aqui é “Américo de Oliveira Costa”, do SESI...
- Mas aqui diz complexo literário. A não ser que bancos de madeira, sombrinhas de palha, um quiosque, e quatro bancos de alvenaria tenham alguma coisa com literatura, e estas estantes aqui – disse apontando para as estantes dentro do módulo da indústria do conhecimento – com algumas centenas de livros, não...

A funcionária que tentara a desculpa engoliu em seco a constatação que o nome Complexo Literário, além de englobar o MICAOC, ensejava, ao menos, que o espaço destinado à leitura e ao acesso à www tivesse, ao menos, um volume  de um dos livros escritos pelo professor Benito Barros.

Nos últimos sete anos, as coisas em Macau estão tão cor de asfalto, tão complexas que a definição de Literatura e o que existe de literário mudaram. Se um dia assaltaram a gramática, agora a administração pública do município de Macau, perdoem-me os bajuladores de plantão, trata de acanalhar com a semântica.

Não é só o Galado que nos faz falta. Os seus livros também.

Não tem um único exemplar de um dos livros do Galado!

Chegarão ao complexo literário Benito Barros em 2020?

7 comentários:

  1. Incrível como você escreve bem!

    ResponderExcluir
  2. Modus operandus: "Coitus inter femur"

    ResponderExcluir
  3. Não são só os livros de Benito que estão faltando.
    Falta o sistema de informática para cadastro de empréstimo de livros, cds e dvds,Por enquanto os livros são apenas para apreciação.
    Falta a instalção da impressora para que os alunos imprimam seus trabalhos, como também a máquina de xérox que já existe mas não foi instalada. Não temos NENHUMA OBRA DE MACAU, nem mesmo o mapa da cidade que foi bastante procurado essa semana.

    ResponderExcluir
  4. Mas sabem por que não têm certas coisas? Eu sei: É assim: O que foi da orçada do SESI, tem, já chegou! O que é da orçada da PREFEITURA, ainda não chegou! Ah! lembram da história do Pinóquio? Flávio prometeu, mas vocês sabem né...ora o homem enganou até o irmão que veio representando a família, agora a família toda de Flávio ele não engana. Na verdade não entendi porque o SESI aceitou o FLÁVIO inaugurar o complexo. Até sei, mas...

    ResponderExcluir
  5. Comentar um texto tão realista, é impossível, mas quero apoiar com a publicação do amigo Nazareno.pra que livros?; de macauenses então!, já temos inaugurações... bandas... algumas porcentagens..., e assim vão ludibriando nossa juventude.

    ResponderExcluir
  6. Nazareno deixa de ser galado, que não é só o Galado-mor que não tem nenhum livro seu nas plateleiras do tal complexo galado. Nehum escritor galado dessa galada cidade tem um livro seu exposto nas galadas prateleiras. Isso é uma gala.
    Galado com raiva

    ResponderExcluir
  7. em vez de vcs ficarem criticando que não tem livros de nenhum escritor macauense vcs devia era doar alguns para a biblioteca américo de oliveira costa,vamos gente correr atraz de livros desses escritores macauense.se mexam,corram atraz,boram a luta.

    ResponderExcluir